Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente, nesta segunda-feira (31), as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. A reunião ocorreu de forma virtual e contou com representantes dos dois países.

Pelo Brasil, participaram o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Do lado norte-americano, esteve presente Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos.

A retomada do diálogo ocorreu após a conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump teria determinado busca por acordo

Segundo Márcio Elias Rosa, o representante comercial dos Estados Unidos informou durante a reunião que recebeu de Trump a orientação para trabalhar pela construção de um acordo com o governo brasileiro.

“Ele nos disse: o presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos para um acordo”, relatou o ministro a jornalistas.

De acordo com Elias Rosa, Greer acompanhou a conversa entre Lula e Trump e recebeu do presidente americano a orientação para avançar nas negociações.

Apesar da reabertura do canal diplomático e comercial, nenhuma proposta concreta foi apresentada durante a reunião.

O encontro ocorreu em um cenário diferente daquele existente antes da aplicação das tarifas. Os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 37,5% sobre produtos brasileiros, e as negociações agora partem dessa nova realidade.

Brasil afirma que não ofereceu concessões

O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil não apresentou novas concessões para que os Estados Unidos retornassem à mesa de negociação.

Segundo ele, a conversa entre Lula e Trump criou as condições para a retomada do diálogo sem que o governo brasileiro precisasse oferecer contrapartidas antecipadamente.

O ministro também afirmou que os dois países reconheceram que estão diante de um “novo cenário” e que as próximas rodadas deverão estabelecer as bases para um eventual acordo.

Pix não será negociado, diz governo brasileiro

Um dos pontos destacados pelo governo brasileiro é que o Pix não será colocado em negociação.

O ministro Mauro Vieira apresentou argumentos contrários às justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para a aplicação das tarifas, enquanto Elias Rosa afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos não está disponível para negociação.

“O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros utilizam, e não há possibilidade de negociarmos o funcionamento do Pix”, afirmou o ministro.

O governo brasileiro também questionou a inclusão de temas que, na avaliação de Brasília, não deveriam fazer parte de uma negociação comercial, como questões relacionadas à política ambiental brasileira.

Tarifas aumentaram desequilíbrio comercial, diz Brasil

Durante as conversas, o governo brasileiro argumentou que a aplicação das tarifas elevou ainda mais o desequilíbrio comercial entre os dois países em favor dos Estados Unidos.

Na avaliação apresentada pelo governo, novas concessões brasileiras sem contrapartidas americanas poderiam ampliar esse desequilíbrio.

“Com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil”, afirmou Elias Rosa.

Novas reuniões devem ocorrer nesta semana

A reunião desta segunda-feira não resultou em um acordo nem em decisões concretas sobre setores ou tarifas.

O principal resultado foi a reabertura formal do canal de negociação entre os dois governos.

Equipes técnicas brasileiras e norte-americanas devem voltar a se reunir ainda nesta semana para discutir as bases de um possível acordo. Também estão previstas novas reuniões virtuais e presenciais nas próximas semanas.

Segundo Elias Rosa, um encontro presencial entre representantes dos dois países poderá ocorrer no fim de setembro ou posteriormente.

O governo brasileiro também indicou que não pretende simplesmente retomar o modelo de negociação adotado antes da entrada em vigor das tarifas.

Governo brasileiro vê possibilidade de acordo

Apesar de nenhum avanço concreto ter sido anunciado, Elias Rosa afirmou estar mais otimista com a possibilidade de um entendimento entre Brasil e Estados Unidos após a conversa entre Lula e Trump.

O ministro afirmou que existe, segundo sua avaliação, uma orientação do governo americano para buscar um acordo que possa reequilibrar a relação comercial e a política tarifária entre os dois países.

A possibilidade de retirada das tarifas, entretanto, ainda não está definida e dependerá das próximas rodadas de negociação.

Por enquanto, Brasil e Estados Unidos voltam à mesa de negociações em busca de um possível acordo, mas sem definição sobre tarifas, concessões ou prazos para uma solução definitiva.

Fonte: Revista Fórum

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