Profissional permitia que falso médico atendesse crianças em situação de vulnerabilidade; esquema já durava pelo menos dois anos.

Um médico de 42 anos foi preso nesta terça-feira (5), em Manaus, suspeito de permitir que um estudante de Educação Física atuasse ilegalmente como médico em seus plantões, inclusive atendendo crianças em situação de vulnerabilidade. A prisão é parte da Operação Hipócrates, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas.

O profissional detido foi identificado como Israelson Taveira Batista, investigado por autorizar que Gabriel Ketzer da Silva, sem qualquer formação em Medicina, assumisse os plantões em unidades de saúde da capital.

Segundo o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), as provas reunidas durante a investigação confirmam que Israelson tinha pleno conhecimento de que Ketzer não era médico.

> “Conseguimos avaliar o conjunto probatório e verificamos que Israelson tinha ciência da ausência de formação médica de Gabriel Ketzer e, mesmo assim, permitia que ele atendesse em seu lugar, principalmente crianças em situação de vulnerabilidade”, afirmou o delegado.



Gabriel Ketzer já havia sido preso em abril, durante a primeira fase da operação, por se passar por ortopedista, pediatra e clínico geral. Ele é acusado de utilizar documentos falsos e lucrar com atendimentos médicos ilegais por pelo menos dois anos.

Durante as investigações, a polícia encontrou documentos comprometedores no Instituto Asas pela Amazônia, fundado por Israelson. Entre os itens apreendidos estavam crachá falso, registros de atendimento, comprovantes de PIX feitos para Ketzer e mensagens que indicam um benefício financeiro ao médico real.

Na ação desta terça-feira, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Israelson, localizada no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus. Novos documentos foram recolhidos, incluindo uniformes de plantão, carimbos de outros médicos, uma arma falsa e até um distintivo das Forças Armadas.

Além da residência, buscas foram realizadas na clínica onde Israelson atendia e na fundação que ele mantinha.

Israelson foi indiciado por falsidade ideológica, estelionato contra vulnerável, falsa identidade e falsidade material de atestado médico. Ele será encaminhado à audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça.

Já Gabriel Ketzer, preso na primeira fase da operação, responderá por exercício ilegal da medicina, além dos mesmos crimes imputados ao médico que o acobertava. A investigação teve início a partir de denúncia anônima e durou cerca de 30 dias.

Divulgação

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