
O Amazonas encerrou o ano de 2025 com o menor número de alertas de desmatamento dos últimos oito anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 2.798 alertas ao longo do ano, número que não era observado desde 2017. Em comparação com 2024, quando foram contabilizados 3.897 alertas, a redução foi de 28,20%.
Além da diminuição nos alertas, a área desmatada no estado também apresentou queda em 2025. Ao todo, foram registrados 72.116 hectares de desmatamento, contra 79.672 hectares em 2024, o que representa uma redução de 9,48%. Os dados apontam que este é o menor índice de área desmatada desde 2018, reforçando a tendência de queda observada no Amazonas desde 2023.
As informações são monitoradas e analisadas diariamente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), com o objetivo de orientar as ações de combate ao desmatamento e fortalecer as políticas ambientais no estado.
No monitoramento diário, além dos dados oficiais do Inpe, o Ipaam também utiliza informações do Programa Brasil MAIS (Meio Ambiente Integrado e Seguro), que disponibiliza imagens de satélite de alta resolução com atualização diária. A tecnologia amplia a precisão na identificação das áreas desmatadas e contribui para maior agilidade nas ações de fiscalização.
Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, os resultados são reflexo do fortalecimento do monitoramento ambiental, do trabalho técnico desenvolvido pelo Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP) e da atuação integrada entre os órgãos estaduais.
“O acompanhamento diário das informações do Inpe, realizado pelo CMAAP, aliado ao planejamento das ações em campo e à integração com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e demais órgãos, tem permitido reduzir os alertas e a área desmatada no Amazonas. Esse trabalho técnico e contínuo é fundamental para orientar a fiscalização e consolidar esses resultados”, afirmou.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, os números de 2025 refletem a atuação integrada entre a Sema, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e o Ipaam, unindo monitoramento, inteligência e operações em campo.
“O empenho da SSP e a atuação técnica do Ipaam foram decisivos para ampliar a presença do Estado nas áreas críticas. Esse esforço também se traduz nos dados históricos de focos de calor, que registraram o menor número em 23 anos de monitoramento do Inpe. É a consolidação de uma política ambiental mais eficiente e estruturada para o Amazonas”, destacou.
Desde setembro de 2024, o Centro de Monitoramento Ambiental passou a contar com um Núcleo de Autuação Remota, que permite ao Ipaam lavrar autos de infração de forma remota, com base em dados técnicos e imagens de satélite.
De acordo com o técnico ambiental do CMAAP, Bruno Affonso, a rapidez na identificação dos alertas é um dos fatores determinantes para a redução dos números. “O sistema DETER possibilita identificar o desmatamento quase em tempo real, o que permite priorizar áreas críticas e direcionar as ações de fiscalização. Com a autuação remota, conseguimos dar mais celeridade às respostas do Estado e evitar a continuidade do dano ambiental”, explicou.
Em 2025, os municípios com maior número de alertas de desmatamento foram Apuí, com 543 registros, Lábrea, com 334, e Boca do Acre, com 232. Em relação à área desmatada, Apuí também liderou, com 18.517 hectares, seguido por Lábrea, com 12.227 hectares, e Novo Aripuanã, com 6.410 hectares.
Ao longo de 2025, o Ipaam aplicou R$ 271.927.822,07 em multas ambientais, sendo R$ 179.323.720,04 relacionadas a infrações por desmatamento ilegal. Em 2024, o total aplicado foi de R$ 193.961.970,83, dos quais R$ 106.166.109,90 estavam relacionados ao desmatamento.
O Ipaam esclarece que os valores aplicados em multas não correspondem, necessariamente, aos valores arrecadados, uma vez que os autos podem estar em fase de defesa, recurso ou julgamento. Os recursos efetivamente arrecadados são destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema), administrado pela Sema, e utilizados no financiamento de ações e projetos de proteção ambiental no Amazonas.


Fotos: Divulgação/Ipaam
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